Na indústria de startups e tecnologia, quando se questiona o valor de uma ideia, a resposta é sempre a mesma: nada, se não for bem executada. Pode parecer chocante para muitos, afinal ideias geniais estão por trás de empresas bilionárias como Google, Facebook e Uber. No entanto, a economia comportamental descobriu que existe sim um valor para nossas ideias: elas sempre valem mais do que as ideias dos outros.

 

Imagine que você acabou de reformar seu apartamento. Você teve diversas ideias diferentes e abriu a planta, mudou os banheiros de lugar e transformou um quarto que não tinha uso em uma sala de TV. Na hora de vender, parece óbvio que todos verão o mesmo valor que você na reforma – e estarão dispostos a pagar aquilo que você pede pelo imóvel.

 

No entanto, a realidade não funciona da mesma forma. Uma outra família pode achar uma loucura o fato de que você abriu a cozinha para a sala de jantar. As suas ideias, por mais que você as ache fantásticas, não serão sempre percebidas da mesma forma pelos outros.

 

Da mesma forma que nos apegamos ao produto do nosso trabalho, tendemos a ver maior valor nas ideias que nós mesmos tivemos. Uma série de experimentos conduzidos por Vivian Li, Alex Shaw e Kristina Olson descobriu que não só temos este viés de valorizar nossas próprias ideias de uma maneira desproporcional (“fui eu que pensei!”), mas também que este viés surge muito cedo em nossas vidas.

 

No estudo, os pesquisadores apresentaram diversos materiais de artes para crianças de 4 e 5 anos, como formas de papel e bolas de algodão. Em um primeiro momento, as crianças deveriam bolar o conceito do trabalho que elas gostariam de fazer e então dizer ao monitor exatamente como fazê-lo. Depois, era hora de inverter os papeis: o monitor dizia às crianças exatamente o que fazer e elas montavam seus trabalhinhos.

 

As crianças participantes foram depois questionadas sobre qual trabalho elas gostariam de levar para casa: aqueles que elas conceberam, ou o que elas fizeram? De forma quase unânime, o favorito foram os primeiros, aqueles que foram resultado de suas próprias ideias.

 

Em um outro experimento, os pesquisadores pediam para crianças de 5 anos inventarem suas próprias histórias. Logo depois, um adulto entrava na sala e o pesquisador repetia a história, mas sem dar o crédito para a criança: “Eu tenho a melhor história!”, ele dizia. As crianças logo gritavam: “Não! Essa era a minha história!”.

 

Estes dois estudos mostram como nos apegamos desde cedo às nossas próprias ideias – muitas vezes, até de forma mais intensa do que ao nosso trabalho. “Juntos, estes resultados sugere que, assim como adultos, crianças pequenas aplicam regras de propriedade não apenas para objetos, mas também às suas ideias”, dizem os autores. Saber reconhecer – e respeitar – o valor que cada um dá às suas próprias ideias pode ajudar muito na resolução de conflitos, com crianças ou adultos.