Hoje (30) o IBGE divulgou o resultado do PIB referente ao terceiro trimestre deste ano. Pela sétima vez consecutiva o resultado  na comparação com o trimestre imediatamente anterior, foi negativo, de 0,8%. Depois de um período de relativo otimismo com as projeções econômicas indicando uma retomada ainda neste ano, os dados mais recentes apontam para uma recuperação lenta e cada vez mais distante.

Alguns indicadores antecedentes (dados estatísticos publicados hoje que nos dizem algo do que irá ocorrer no futuro) apontam que a queda no terceiro trimestre não foi pontual e o Brasil deve permanecer em recessão no quarto trimestre. Em outubro diversos indicadores apresentaram resultados negativos: a produção de veículos, a utilização capacidade instalada na indústria, o fluxo de veículos em estradas pedagiadas, o índice de atividade do comércio da Serasa e a concessão de crédito para as empresas. Este último chama atenção por conta da forte queda das concessões de crédito com recursos do BNDES, de 22,7% no mês. Trata-se de um indício de que os investimentos devem seguir caindo no último trimestre do ano.

A projeção da GO Associados para o último trimestre é de queda de 0,2%, o que faria a economia brasileira recuar um total de 3,5% em 2016 em relação a 2015.

A frustração é justificável e a economia não cresce por alguns motivos. O Estado brasileiro está quebrado, e isso inclui todas as esferas, federal, estados e municípios. Famílias e empresas endividadas e uma taxa de juros ainda elevada, o que desincentiva o consumo e o investimento. Esses são alguns ingredientes da crise atual.

Há muito o que ser feito para uma recuperação consistente. Em primeiro lugar, para dar mais credibilidade ao governo e colocar as contas públicas em ordem, é preciso avançar no ajuste fiscal. Para isso, propostas como a PEC de gastos, que limita os gastos públicos, e reformas como a da previdência são fundamentais.

Em segundo lugar, reduzir os juros. Para agilizar a retomada é preciso aquecer a demanda. Por fim, e uma das frentes mais importantes para uma recuperação consistente, investimento em infraestrutura. Reduzir o risco regulatório e jurídico dos projetos em infraestrutura não exigem reformas legislativas e são essenciais para destravar os investimentos, que por sua vez teriam um enorme impacto na economia e na geração de empregos.

A persistência da economia fraca prejudica toda a população e o efeito mais visível é o desemprego. No biênio 2015/16 o Brasil perdeu quase 3 milhões de empregos, que provavelmente só serão  recuperados em 2020. Mais desemprego, menos renda e, portanto, menos consumo. O Brasil precisa fazer a lição de casa para acabar com essa espiral negativa.

Uma recuperação mais forte em 2017 fica cada vez mais improvável, como já admitido pelo próprio governo, que reduziu sua projeção de crescimento de 1,6% para apenas 1,0% no ano que vem. Avançar no ajuste fiscal e investir em infraestrutura são fundamentais para passarmos desse período de crise o mais rápido possível.

Gesner Oliveira
Professor da EAESP-FGV e Sócio da GO Associados